POR QUE ESTÁS ABATIDA, Ó MINHA ALMA?
A Palavra de Deus
diz que a letra mata e o Espírito vivifica. Ou seja, sem entrar no mérito
teológico do versículo em questão, fica claro que existem coisas que matam a
nossa alma – e não matam como se mata a carne, com armas, acidentes ou males do
gênero. Não é preciso um pecado para destroçar nossa alma. Coisas pequenas o
fazem.
Nos Salmos 42 e 43
vemos três vezes as perguntas do salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de
mim?” Às vezes basta uma palavra mal posta. Às vezes uma mentira.
Às vezes o desprezo. Às vezes uma fotografia. Às vezes a rejeição. E pronto: a
alma desmorona, se abate, se perturba. Enlutece. Fica com gosto de podre na
boca. Morre.
Cristãos também
passam por isso. Homens e mulheres de Deus não estão isentos de ter sua
alma feita em
frangalhos. O afastamento de gente querida. A decepção com um
pastor. Uma canção que nos arrebenta. Qualquer razão que perfure nosso
coraçãozinho frágil. Somos frágeis, temos sentimentos.
Nos seminários
teológicos nos ensinam que o espírito é nossa ligação divina e a alma é onde
moram as emoções, os sentimentos. Tanto que, onde em algumas traduções da
Bíblia se lê “alma”, em outras se lê “coração”. E quem mais emocional do que um
cristão, um ser capaz de derramar lágrimas durante um momento de louvor a Deus
somente por saber que o Criador dos céus e da terra o ama? Com todas as falhas,
todos os pecados, todas as humanidades… Deus ama aquele vermezinho comedor de
bolotas de porcos a ponto de ter dado sua vida por ele na cruz.
Nós, cristãos, que
temos corações frágeis e sensíveis, somos passíveis de ter a alma abatida até a
morte por uma frase, um gesto, um olhar, uma imagem.
Fui procurado por um
homem que viu apenas uma imagem que o lançou num abismo profundo: da mulher que
ama em carinhos com outro, sorrindo para outro, num momento de afeto, a um
centímetro de um beijo nos lábios. Sorrindo um sorriso lindo. Eles pareciam ter
acabado de cantar uma canção, juntos. O tal homem ouviu apenas uma frase da
canção, que foi o que o levou a ver a imagem que o rasgou. Ele ouviu a letra da
música. E me disse sem ligar para a hermenêutica: “É, essa letra me matou”. O
pobre estava aos prantos. Sua alma era um caco. Seu coração, um cemitério.
Bastou uma imagem e uma canção.
Eu lhe respondi,
tentando convencer a mim mesmo de que esta verdade o ajudaria: “Mas o Espírito
vivifica…”. Ele não pareceu muito convencido. Então pensei: O que fazer quando
a alma se abate até a morte?
Só há uma resposta:
chorar no colo de Cristo.
Pois a continuação
dos mesmos três versículos de Salmos responde as perguntas do salmista: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a
ele, meu auxílio e Deus meu. Sinto abatida dentro de mim a minha alma;
lembro-me, portanto, de ti”. Para uma alma abatida e perturbada que viu
seu amor com outro, só havia uma solução: lembrar-se do Senhor. Que é refugio e
fortaleza, socorro bem presente na angústia. Que nos diz para lançar sobre Ele
todas as nossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de nós. Jesus é a luz que
mostra o caminho no vale da sombra da morte. Quando você olha em volta, se vê
em queda livre e não tem onde se agarrar lembre-se sempre que Jesus está
contigo.
Orei com esse homem.
Não senti paz em sua alma, em seu coração – pois nem sempre Deus nos dá o
refrigério na hora exata em que queremos, às vezes é preciso viver o luto. Deus
tem suas estranhas razões. Mas senti que aquele homem em frangalhos, aquele
pedaço de carne ambulante de alma murcha, se lembrou do único que poderia
vivificar novamente a alegria de seu coração e amainar a dor que devorava suas
entranhas: Jesus de Nazaré.
Você, amado (a) que
me lê, eventualmente terá a alma abatida por algo. Se é que não está abatida
agora. Uma situação qualquer, uma doença, um falecimento, um amor que partiu.
Solidão. Uma imagem. Uma foto. A letra de uma canção. Nessa hora… espere.
Espere em Deus, pois
Ele é seu auxílio, sua ajuda, seu colo e ombro. Se tua alma está abatida dentro
de si, lembre-se que, para além da dor, está a Verdade. E a Verdade vos
libertará – da morte, do abatimento, do sofrimento, da dura realidade. Das
imagens e canções que matam. Até que um dia, por um milagre, uma intervenção
divina, você reencontre a paz perdida.
Deus te abençoe!
PR Sérgio Müller
E-mail: sergio.muller@superig.com.br
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